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  • Mariana Kling

Psicoterapia: Como acontece?

A Psicoterapia é um processo cercado de muitas dúvidas. Por isso, esse texto tem o intuito de destacar justamente sobre esse primeiro contato com o profissional de psicologia e que é cercado por muitos medos e inseguranças, seja porque as pessoas acreditam que podem resolver seus problemas sozinhas e que não precisam da ajuda de ninguém, ou porque simplesmente acham estranho falarem de suas vidas para alguém que não conhecem. Esses são apenas alguns dos motivos que se escuta por aí diante da resistência em buscar ajuda.

Importante destacar que é muito frequente presenciar esses medos no consultório e é compreensível esses pensamentos diante do desconhecido. Mas será que damos conta de tudo? Será que não é necessário reconhecer e buscar ajuda?


Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, afinal, passar por esse processo implica lidar diretamente com nossos medos, angústias, inseguranças e exposições ao outro. 


Vale destacar que não há uma regra ou um motivo específico que faça cada um procurar por uma ajuda desse profissional, pois isso acontece de maneira particular para cada pessoa. Afinal, aquele que procura ajuda, procura porque está sofrendo ou no mínimo tem alguma questão que o está intrigando.


Há também pessoas que chegam sem saber os reais motivos de estarem ali, mas simplesmente porque sentem que há algo que não anda bem em suas vidas. Assim, uma pessoa que busca psicoterapia se apresenta, em geral, com algum sofrimento que está implicado em sua queixa, mesmo para aqueles que querem se conhecer melhor, afinal, o querer se conhecer não se dá ao acaso. É esse sofrimento que irá permitir o paciente continuar no tratamento, pois é justamente o desejo de querer sua cura que fará com que este continue.


A psicoterapia envolve um tratamento que é construído pelo paciente em conjunto com o profissional e que acontece em um processo terapêutico que envolve escuta e acolhimento. O processo não é necessariamente desagradável, mas pede uma coragem que pode falhar mais facilmente em quem não precisa de tratamento ou não está sofrendo. Essa falha também pode acontecer em quem deseja o tratamento, mas resiste em fazê-lo.  


Há um conceito que é fundamental para que esse processo funcione. Muitos dizem que para que esse tratamento funcione é preciso ter empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Entretanto, na abordagem psicanalítica é preciso um pouco mais do que empatia, é preciso que haja transferência.


A transferência envolve o estabelecimento de um laço afetivo e simbólico entre o profissional e o paciente, sendo a condição para o progresso do tratamento psicanalítico. Seu estabelecimento se faz necessário para que o processo se inicie.

Mais do que isso, a transferência é o que permite a continuidade do tratamento. Permite o paciente viver ou reviver, na relação com o psicanalista, a gama de afetos e paixões que são ou foram também dominantes em sua vida. Vale ressaltar que a transferência está presente em todas as nossas relações e por isso não seria diferente em um processo terapêutico, a diferença, é que na psicanálise a transferência é o guia condutor do tratamento.


Há quem questione o tempo de uma psicoterapia, mas já parou para pensar há quantos anos você age e reage à vida da mesma maneira? Ou em como tem se relacionado com o mundo durante todo esse tempo? Esses e outros questionamentos são importantes para quem está em um processo terapêutico. Afinal: “Uma psicoterapia é uma experiência que transforma; pode-se sair dela sem o sofrimento do qual a gente se queixava inicialmente, mas ao custo de uma mudança. Na saída, não somos os mesmos sem dor; somos outros, diferentes.”Contardo Calligaris, Cartas a um jovem Terapeuta.

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